
19/07/2007

A hora da verdade
Quem já enfrentou uma coletiva de imprensa em situação de crise, sabe: as emoções estão à solta, a ansiedade impera, a estratégia, a preparação, passam para segundo plano e os desastres se sucedem. A tragédia de Congonhas demonstra que empresas e autoridades têm que estar preparadas – e isso não acontece do dia para a noite. É essencial ter porta-vozes treinados, capazes de apresentar os fatos disponíveis com clareza. É essencial ser rápido, mesmo que as informações disponíveis ainda sejam parciais. Cada minuto conta e trabalha contra o comunicador.
O porta-voz é figura-chave nesta história. Vítimas não são números. São pessoas, têm uma história. Cada espectador, leitor, ouvinte, internauta, se põe instintivamente no lugar de cada uma delas. Poderia ter sido qualquer um de nós, poderia ter sido qualquer de nossos familiares, amigos. É impossível tratar uma tragédia – qualquer que seja – com a distância de quem avalia racionalmente um acidente. E é o porta-voz o responsável por essa mistura de informação clara e manifestação de consternação, respeito e segurança.
Enfrentar um acidente requer muito treinamento, muito preparo. Não para desempenhar um papel, mas, sim, para apreender a atitude correta, para munir-se de toda a paciência e compreensão, para saber distinguir o que é informação do que não passa de especulação, para evitar, a qualquer custo, a busca das acusações fáceis em prol daquilo que realmente importa: prestar contas de maneira clara, segura, confiável, ao tempo e hora adequados.
Temos treinado e acompanhado porta-vozes nas mais diversas situações, nos últimos trinta e um anos, e podemos afirmar com plena convicção: nunca é fácil, estar preparado supõe muita dedicação mas este preparo ultrapassa as preocupações imediatas de qualquer instituição. É dever de todos nós, comunicadores, para com a sociedade de que fazemos parte. Sempre.
Flavio Valsani
Diretor Executivo da LVBA Comunicação
Endereço no Flickr:http://www.flickr.com/photos/21585435@N07/
Janine,
é verdade que a cobertura tem avançado mais para o lado mórbido que para o lado técnico - até porque o assunto é complexo e há que ter uma certa cautela antes de levantar suposições. Admito, até, que o despreparo geral tem permitido reviravoltas na cobertura, com novos fatos se sucedendo a cada minuto. E a cada dia estamos mais distantes daquilo que realmente é importante - as quase duzentas pessoas que tinham sua história, seus sonhos, seus problemas e seus milhares de amigos, familiares.
Agora temos um membro do alto escalão do governo, estampado em todos os jornais, fazendo um gesto chulo. Por que? Para quem?
flavio - lvba (20/07/2007 - 11:17)
Flavio, tens toda razão. Nós perdemos sete clientes no acidente e estamos impressionados com o despreparo dos jornalistas na cobertura. O Faustão costuma dizer que "quem sabe faz ao vivo". Ao ver a cobertura da tevê, concluo: ninguém sabe. me impressionam os cacoetes, erros de português, tiques nervosos, faltas de concordância. E as perguntas sobre os familiares das vitmas para mim, assessora? "E o filho, ao reconhecer a mãe, chorou?" - "Não, filha, riu", me deu vontade de responder, mas o medo que ela achasse que era verdade, me impediu. É, vamos ter que fazer media training, com a mídia também. Um beijo.
janine Saponara - Lead Comunicação (19/07/2007 - 20:28)
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