Gestão de Relacionamentos

06/11/2008

O comunicador que se deseja

Negócios sustentáveis, com contas enxutas e planejamento de longo prazo, são uma realidade ou, pelo menos, uma meta a ser seguida por muitas empresas. Com a atual crise mundial, onde o mercado do capital fictício está ameaçado, as necessidades de redução de custos e de administrações com rédeas curtas só se acentuaram. Não ignorando os reais fatos de dificuldade em diversos setores, vale reforçar que os investimentos são cada vez mais calculados e que o tempo da abonança e de decisões econômicas a revelia do investidor estão com os dias contados.

E onde entra o comunicador nisso? Profissionais de Relações Públicas, Assessoria de Imprensa, Publicidade, por exemplo, também precisam diversificar os serviços que prestam. Esses especialistas têm que recuperar a origem de suas atividades: a de traduzir por meio da escrita ou de imagens realidades desconhecidas ou incompreensíveis.

Dentro do mundo corporativo, outra função que não pode ser ignorada pelos comunicadores é a de informar e monitorar os movimentos que possam interessar aos clientes. O modelo de elaborar comunicativos, anúncios, materiais que destaquem somente pontos positivos ou apenas sob uma ótica parcial do tema não é mais aceitável. Dentro da realidade das redes sociais com troca de informações, onde segredo só existe mesmo no dicionário, transparência e rapidez são artigos de primeira necessidade.

O profissional de comunicação precisa acompanhar, entender, repassar e orientar os seus clientes. A não avaliação crítica de fatos ou de uma ação a ser desenvolvida reduz o comunicador a um mero operador de textos ou de visual gráfico. A consultoria e compreensão da estratégia correta para cada caso valem ou deveriam valer ouro.

O que ainda precisa ser revisto é a aceitação e exigibilidade dessa postura e qualificação profissional. Os representantes do mundo corporativo ainda não reconhecem no comunicador aspectos que deveriam ser básicos: o senso crítico e a orientação para dialogar com os stakeholders. Por outro lado, alguns comunicadores não reconhecem neles mesmos este papel e sequer sabem mensurar o valor de seu trabalho.

Infelizmente, a personalização da comunicação dentro e fora da empresa ainda é case de grandes empresas, que ao olhar limitado de muitos “podem ousar”. Agora, uma provocação: quem pode hoje não ousar? Diversas empresas e profissionais não vêm essa máxima e, por isso, em breve, serão engolidos pelo furacão do mundo da web 2.0, do dinamismo oferecido pelas tecnologias ou da decodificação resumida de informações.

Outro ponto ignorado não mais pelas empresas, mas por um grande número de comunicadores, é a necessidade de contabilizar os resultados das ações de comunicação. A sintonia entre perfil, meta e realidade da empresa e comunicação é inadiável. Como no mercado financeiro, político e de relações interpessoais, tudo precisa andar lado a lado e de forma planejada.

Dentro desse cenário, de reformas e novas expectativas para a comunicação, como imaginar a dispensa dos profissionais da área em um momento de crise? Um passo de exposição sem planejamento e sem os devidos consultores comunicativos pode custar milhões e resultar na destruição de toda uma filosofia de produção e prestação de serviços de sucesso. 

Ada Mendes gerente de Atendimento da LVBA. Jornalista especializada em economia e com mestrado pela Universidad de Barcelona em Comunicação Empresarial. Detém ainda o blog www.panqueique.blogspot.com.



Impressionante como uma fábula de aproximadamente 20 anos, representa uma realidade em comunicação excelente na atualidade. Parabéns.

Fausto Campos - tino (02/12/2008 - 11:37)






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